É comum nos diversos meios de difusão cultural, ouvirmos que existem muitos setores da nossa sociedade que carecem de reestruturação. Há inclusive um número elevado de propostas em todos os seguimentos, quer sejam os de apelo social, ou mesmo os de apelo político, porém, há um lugar comum em todos os programas sustentados pelos ordenadores e idealizadores da nossa Nação: “ Somente através da Educação, é que sairemos da situação social e de distribuição de renda precária que vivenciamos hoje no Brasil, e passaremos para um novo estágio de desenvolvimento integral e não só econômico”.
Dizer isso é fácil, detectar tal fato não exige um estudo muito aprofundado da situação real em que nossa sociedade desenvolve suas aspirações maiores, e quando apontamos tais caminhos, criamos uma aura intelectual, muito satisfatória para aqueles que pretendem dirigir os destinos de qualquer povo. Porém, sabemos que muito pouco foi feito, diante desta premissa quase que unânime, de que somente através da alavanca transformadora focada no processo educacional, o destino deste nosso Pais será alterado com qualidade e sustentabilidade.
Acompanhamos dia após dia, muitas ações isoladas e meritórias na direção de soluções seguimentadas. É perceptível o empenho de muitos entusiastas nas suas funções de gestores educacionais, ampliando condições de acessibilidade à população em geral, porém, é aparente o descaso com uma política nacional e um pensamento realmente voltado para soluções e não para demonstrações de ações populescas, que muitas vezes só atrapalham o desempenho de qualquer proposta de alto teor qualitativo.
Quando analisamos os dados do IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, que em 2006 apontou o triste fato de somente 37% daqueles que entraram no ensino fundamental terminaram o ensino médio e que 75% dos adultos alfabetizados no Brasil, são analfabetos funcionais, ou ainda, segundo o PNAD 2006 - Pesquisa Nacional por amostragem de domicílios, feito pelo IBGE , onde dos 34 milhões de jovens urbanos do Brasil, 7,4 milhões tiveram de um a sete anos de estudo, período insuficiente para concluir qualquer ciclo de formação, percebemos que muitas coisas têm que mudar.
Ocorre que também do outro lado deste vasto seguimento estão os professores universitários, vistos por muitos como a face resolvida e qualificada de toda esta trajetória educacional. Pobres Educadores, que após terminar sua formação no que chamamos hoje de Ensino Superior, começam uma trajetória educacional, muitas vezes equivocada, por falta clara de formação. Temos diariamente contato com muitos professores que têm muitos livros editados, uma produção científica ampla e reconhecimento claro dentro do seu seguimento de atuação, mas diante do desafio educacional nos bancos universitários deixam muito a desejar, pois também carecem da mesma atenção, advinda de uma política ampla para a formação real do Educador, que realiza seu trabalho através de estratégias cientificamente comprovadas, amparadas pelos implementos didáticos, que têm real reconhecimento e estudo, em grandes Instituições de pesquisa espalhadas pelos vários continentes, e que gera a tão necessária reciclagem do trabalho prático do Educador, na Docência Superior.
Lembro, que a figura do Educador supera a imagem do Professor, como conhecemos. Este agente transformador trabalha não só para ensinar, mas também e principalmente para fomentar o interesse e a dimensão do real pensamento, que gera o estímulo e a condição da intelegência ocupar o seu lugar de destaque, além de mecanismos falidos, onde o que vale é a informação e não a formação. Outrossim, temos em diversas amostragens estatísticas, a máxima creditada a professores de longa data, que afirmam ser bom aluno quem tem facilidades. Ora, bom aluno é aquele que tem vontade de aprender e bom Educador é aquele que tem prazer em vencer as barreiras que separam o aluno desinteressado, do teor da matéria apresentada.
A cada curto período ouvimos falar de ações para fomentar a melhora dos índices na formação escolar, mas como fazê-lo, sem melhorarmos a qualidade na formação dos professores? Quer seja no processo de formação, quer seja no andamento de sua qualificação, quer seja na geração constante de reciclagem de conteúdo e contexto, temos que investir sim, nesta classe e principalmente neste caminho de pensamento, para que os investimentos nas Escolas, Faculdades e Universidades, não traduzam somente um investimento em casulo oco e sem a função clara, traduzida pelos princípios educacionais modernos.
Os Gregos mostraram a milhares de anos, que não há melhor caminho para o aprendizado, que o exercício do pensamento, e não há melhor maneira de formarmos um educador, que auxiliando-o a pensar na direção das descobertas focadas em necessidades reais dos alunos, nos bancos escolares.
Existem muitas perguntas que são levadas constantemente aos Congressos Internacionais de Educação, como por exemplo:
- Como alterar este movimento cíclico?
- Como gerir uma sociedade consciente e dentro dela, a formação de profissionais voltados para a formação educacional, amplamente qualificados?
- Como convencer os dirigentes, empresários da Educação e os próprios professores, que aí estão, de que há outro caminho para tal transformação?
Muitos são os caminhos apontados, mas todos eles necessitam de um elemento comum:
A consciência social!
Essa é a ferramenta fundamental que proporciona a transformação nos destinos da Educação e consequentemente, de todo um seguimento humano. Ela é elemento propulsor das reais transformações, porque nasce naturalmente da consciência fática e permanente. Nasce da maturidade de uma Nação, quando seu povo, já cansado de trilhar os mesmos labirintos de desatinos e descaminhos, começa a acordar para o que é essencial.
Vivenciamos no Brasil contemporâneo este momento histórico de transformação. Desde as regiões mais longínquas, nos rincões do nosso imenso País, até os núcleos mais cosmopolitas, percebemos uma vontade de alterar os caminhos estruturais da formação educacional. A sociedade está dizendo; - Basta! Não queremos apenas títulos vazios e promessas não cumpridas. Queremos sim, aprender de verdade! Queremos sim, ter acesso ao real conhecimento e não ao que propõe a maioria das Instituições, em todos os patamares de formação educacional, que apenas alimentam a pobreza de profundidade e a estatística vazia.
Finalmente a Educação pede passagem! Vislumbramos alunos que passam por todas as etapas da formação e tem a coragem de dizer numa etapa de Pós- Graduação: “- Agora finalmente tenho consciência do valor constante no aprendizado e na leitura!”. É um sintoma de que tudo começa a mudar.
Em recente pesquisa feita pelo próprio IBGE, constatou-se que a evasão escolar tem diminuído significativamente. Existe um movimento significativo na direção de transformações que amplifiquem as condições para o aprendizado e mais que isso, definam parâmetros reais para o conteúdo deste aprendizado e para a qualificação dos profissionais que serão agentes transformadores, os Educadores.
Muitos pessimistas refutam a idéia de que existam muitas Instituições de Ensino sendo fundadas, criadas e mantidas em todo o território.
Gabriel Catellani




